Guilherme Scheffer,Economista e CFO
28 de julho de 2021
Venho de uma família de agricultores. Meu pai, Elizeu Scheffer, migrou, nos anos 80, do interior do Paraná para o Centro-Oeste, mais precisamente para a cidade de Sapezal, em Mato Grosso. Assim como outras centenas de famílias, a minha veio em busca das oportunidades que o cultivo de grãos no cerrado brasileiro prometia. Dessa trajetória, nasceu a Scheffer, que há mais de 30 anos produz algodão, soja, milho e carne bovina nos estados de Mato Grosso, Maranhão e agora também na Colômbia.
O conhecimento adquirido em décadas nos possibilitou seguir inovando. Para nós, a visão de futuro é um exercício cotidiano. Planejar os próximos ciclos, antevendo demandas do mercado ou prevendo questões conjunturais têm sido práticas permanentes na Scheffer. Porque temos compromisso com o futuro e com a manutenção das próximas gerações.
Chegamos agora a um marco histórico: somos a primeira empresa brasileira do agro a receber a certificação regenagri por nossas práticas de agricultura regenerativa. É um atestado de que o nosso propósito de ir sempre em busca dos melhores desempenhos em respeito ao ambiente e às pessoas está dando resultado.
A certificação foi uma conquista na Fazenda Três Lagoas, e é lá que funciona o nosso hub de agricultura regenerativa, bem como nossa indústria de produtos biológicos.
Na atual conjuntura, em que o mundo pede e a natureza nos cobra cada vez mais por medidas que minimizem os efeitos das mudanças climáticas, a agricultura regenerativa prova ser uma alternativa viável para a produção de alimentos e fibras aliados ao uso cada vez mais racional dos recursos ambientais.
Na Scheffer, iniciamos em 2016, de forma experimental em 440 hectares, o cultivo usando técnicas regenerativas do solo. E os resultados já podem ser vistos a olho nu, com mais vida no solo, insetos benéficos, inimigos naturais, minhocas e fungos reaparecendo. Além disso, no ciclo da safra 2019/2020 a aplicação de químicos nas lavouras de soja diminuiu 53% e nas áreas de algodão, 34% – sem alterar os índices médios de produtividade, provando ser algo rentável economicamente.
E com isso saltamos, nestes cinco anos, dos iniciais 440 hectares para 4.040 na safra 2019/20 e agora, na safra de soja 2021/22 iremos dobrar a área, e assim teremos a nossa primeira Unidade de Produção 100% cultivada com as práticas regenerativas. Estamos caminhando para alcançar a meta estabelecida no nosso planejamento estratégico, de ter todas as nossas unidades agrícolas dentro deste conceito.
A agricultura regenerativa é alicerçada em princípios que estabelecem uma relação harmoniosa do cultivo agrícola com o meio ambiente. Entre as técnicas estão o plantio direto, no qual a semeadura é feita diretamente no solo com palhada, sem arar ou gradear a terra; a rotação de culturas e o uso de produtos biológicos, que são produtos compostos de microrganismos como fungos e bactérias. Além de promover a sanidade das plantas, os bioprodutos ajudam a manter o equilíbrio ecológico da natureza.
Nossa motivação rumo à agricultura regenerativa reflete o propósito de regenerar a vida na terra. Queremos ser um exemplo na prática de que é, sim, possível unir a eficiência do agro – com altas produtividades e rentabilidade financeira, com responsabilidade social, ambiental e econômica.
O mundo quer saber como o agronegócio brasileiro abraça a sustentabilidade. Estamos cientes disso e dispostos a lançar um olhar cada vez mais voltado à consolidação de um novo modelo de fazer agricultura, em todos os aspectos, como já mencionados anteriormente.
Acreditamos que o futuro da produção agropecuária passa, obrigatoriamente, por práticas mais conscientes e sustentáveis que precisam ser adotadas imediatamente. Se já existe uma consciência coletiva quanto à necessidade de ampliarmos ações concretas de sustentabilidade em todos os demais aspectos da nossa vida, por que não pensar em formas alternativas de desenvolvimento da agricultura? Fica o convite à reflexão. Esse é o nosso caminho, esse é o nosso propósito de regenerar a vida na terra.